A eletroencefalografia (EEG) é uma técnica de neuroimagem utilizada para registar a atividade elétrica do cérebro a partir da superfície do couro cabeludo. Entre os ritmos suaves e sinusoidais do EEG das ondas cerebrais normais e as anomalias claramente patológicas observadas na epilepsia, existe uma aberração controversa e breve denominada onda aguda. Uma onda aguda, também conhecida como descarga epileptiforme ou paroxística, é um evento elétrico de duração limitada que representa vários milhares de neurónios excitáveis a disparar de forma sincronizada. Enquanto alguns investigadores e clínicos abordam as ondas agudas como fatores importantes da sintomatologia e da conceção do tratamento, outros consideram as ondas agudas como benignas. Este trabalho analisou a apresentação de sintomas em doentes psiquiátricos com ondas agudas. As ondas agudas foram altamente prevalentes e correlacionaram-se com a apresentação de sintomas. Curiosamente, ondas agudas isoladas e altamente focais foram associadas a patologias mais graves, enquanto aquelas distribuídas por regiões cerebrais homólogas são hipotetizadas como desempenhando um papel protetor. As razões para este resultado são exploradas à luz da recente teoria das redes neuronais. Este trabalho destaca a importante necessidade de revisitar o papel das ondas agudas na psicopatologia.